segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Heal me, I'm heartsick

Um tem meu nome tatuado nas costas. Outro o tem tatuado no peito. Outro apenas gravado em seus lábios. Nao é nada de que eu me orgulhe, pois, ambiciosa ou não, minha vontade é estar definitivamente gravada no coração de alguem. Antes que algum maluco leia isso, rasgue o peito e tatue o músculo cardíaco, advirto que nao falei isso no sentido literal. Se bem que, pelo que percebi, é bem mais fácil e cômodo grafar a pele que entregar-se à experimentos amorosos. Tenho que admitir: a dor de uma tatuagem é ínfima quando comparada às dores de amor. Essas, tais como a primeira, também doem...mas em uma proporção esmagadoramente maior. As feridas são abertas sem nenhuma assepsia ou técnica cirgúrgia, por pessoas sem nenhuma habilitação. E nós, inconsequentes, nos submetemos ao experimento cego, com muitas expectativas e nenhuma garantia. Não demora muito, e a febre vem. De início, ardemos num misto de masoquismo e prazer. Depois, na agonia infecciosa da incerteza. Nas mãos alheias desprovidas de luvas, são aspergidos nossos sentimentos. Elas parecem satisfeitas e motivadas a prosseguir o trabalho. Penetram nossa carne à fundo, entre milhares de perfurações, injetam substâncias em nossos poros, vasos, tecidos, até que o fluido ácido atinge a corrente sanguínea. Bombardeado, o veneno chega no coração. Dói. Nossos corpos, espasmódicos, têm como única segurança a imagem fosca de nosso tatuador. Sua aparência é confusa, mas, mesmo que distorcida, podemos ver sua postura hesitante. Esperamos algum conforto, alguma explicação, e ele apenas diz que é hora de parar. Parar? Sim. Mas a dor não para, apenas aumenta, cresce progressivamente, queima. Agora estamos sós, e com o coração doente. Sangramos salgados litros pelos olhos.
Mas não sintamos raiva do tatuador, pois as vezes assumimos seu papel e fazemos tatuagens experimentais em outras pessoas, e os recompensamos com dor, indiferença, solidão...quando vemos que nao deu certo, que é hora de parar. No fundo, os tatuadores estão tão cegos e assustados como as vítimas. As vezes até feridos também, por baixo de suas vestes impecáveis. E é tao normal confiar nossas vidas e a vida dos outros à caprichos. Só não parece mais ser normal entregar-se ao amor, e tentar fechar as feridas abertas. Não parece mais valer a pena tentar consertar os erros que cometemos. Afinal, para os crimes sentimentais não há pena.





**Relendo: Post ficou tosco, espero não ter ficado muito parecido com texto reflexivo ou de auto-ajuda...x.x mas poxa..já foi o.o

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